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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

OBLATVS: Bento XVI na berlinda midiática!

Como em toda a blogosfera católica, também me reservo ao direito de republicar a matéria traduzida pelo OBLATVS do Pe. Clécio, originalmente escrita pela Raffaella "a melhor e mais lida blogueira católica italiana":
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Raffaella, a melhor e mais lida blogueira católica italiana, “descobriu” e publicou os “princípios editoriais” seguidos pela maioria dos profissionais no que concerne à Igreja Católica e, em especial, ao Papa Bento XVI.

Se você quer entender o processo de produção de notícias dos canais de TV a que assiste, das revistas e jornais que lê e das manchetes que vê na tela de seu computador, não deixe de ler o que vai abaixo.


OS PRINCÍPIOS EDITORIAIS SEGUIDOS POR TANTOS JORNALISTAS

1) Prepare escrupulosa e antecipadamente cada visita ou viagem apostólica de Bento XVI:

a) crie uma bela polêmica sobre os custos da viagem;
b) selecione acuradamente as possíveis temáticas (padres pedófilos, declínio de fiéis, desobediência dos bispos [exceto no Brasil, onde isto não existe!]; eventuais contrastes com Protestantes, Judeus e Muçulmanos);
c) faça de forma que a viagem seja precedida de uma crescente escalada de polêmicas. Eventualmente e no último minuto, finja estar chocado com o comportamento da mídia [se você quiser parecer “independente” e imparcial];
d) apresente a viagem como “a mais difícil do Pontificado”;
e) dê a máxima ressonância às manifestações de protesto que estão sendo organizadas. Inflacione as cifras que os organizadores lhe fornecem e insinue que os manifestantes serão mais numerosos que os fiéis;
f) avise aos seus leitores que as Missas e as Vigílias presididas pelo Papa Bento ficarão certamente desertas;
g) evidencie o fato de que o Papa Bento não conhece a realidade dos vários países que visita porque vive fechado no Vaticano (acariciando gatinhos, escrevendo livros e tocando piano);
h) entreviste sempre Hans Küng [no Brasil serve o genérico, Leonardo Boff], uma verdadeira garantia;
i) pergunte sempre ao Padre Lombardi se, durante a viagem, o Papa encontrará vítimas de padres pedófilos;
j) no dia do embarque do Papa, escreva um artigo absolutamente negativo sobre a viagem em que fique claro que ninguém está esperando o Papa e que ele será acolhido com a frieza do gelo siberiano;
k) se por acaso o Papa visita a Alemanha, não se esqueça de citar a famosa frase “Nemo propheta in patria”.

2) Quando você percebe, durante a viagem, que a realidade é bem diferente daquela que descreveu ou está descrevendo:

a) não desanime;
b) se você é um jornalista televisivo, entreviste sempre que lhe diz que preferia João Paulo II ou que está ali por curiosidade e não para ver Bento XVI. Entreviste preferivelmente padres e seminaristas;
c) mostre as imagens dos manifestantes contrários mesmo se são “quatro gatos pingados”. Particularmente: use a metade dos poucos segundos que o seu telejornal lhe dá para falar das manifestações e não daquilo que faz ou diz o Papa;
d) se você é um jornalista da mídia impressa, procure não evidenciar que nas manifestações antipapais havia “quatro gatos pingados” e entreviste o porta-voz dos manifestantes, o qual inflacionará o número se necessário;
e) jamais chame a atenção dos leitores para o fato de que nas manifestações não havia as multidões esperadas;
f) jamais evidencie o número de fiéis que, por contraste, acorrem para ouvir o Papa Bento;
g) recorde-se que cada manifestante seja contado em dobro e que cada fiel vale a metade;
h) se, durante a visita, ocorre um episódio sem qualquer importância (falso atentado, falsas ameaças...), evidencie isso e não a atividade do Papa!
i) se o Papa diz: “defendamos a família”, você escreve: “Anátema do Papa contra os casais de fato”;
j) procure simplificar ao máximo e, se possível, faça o Papa dizer aquilo que não disse e/ou aquilo que você pensa ter sido o único a perceber;
k) se o Papa encontra as vítimas dos padres pedófilos, você tem duas alternativas: faça com que o encontro se torne a única razão da viagem ou (a tendência que prevalece desde 2011) ignore o evento e prossiga;
l) não se esqueça, porém, de avisar a seus leitores que o Papa não falou explicitamente de padres pedófilos;
m) se o Papa, porém, falar disto, finja não ter ouvido;
n) entreviste sempre Hans Küng [no Brasil serve o genérico, Leonardo Boff];
o) se o Papa o surpreende, não lhe dê muita satisfação. Você sempre poderá dizer que este Pontífice tem uma linguagem complexa que não chega ao homem comum;
p) se você tem duas cifras disponíveis sobre a presença dos fiéis, indique sempre a mais baixa;
q) evidencie ao máximo que havia sim muitos fiéis mas que provavelmente estavam lá por curiosidade ou por acaso;
r) jamais escreva que estranhamente os fiéis são movidos pela curiosidade apenas quando o Papa Bento está medido no meio;
s) se puder, ignore totalmente o restante da viagem.

3) Quando a viagem foi concluída e você se dá conta de haver cometido, como sempre, uma quantidade exagerada de erros:

a) procure esquecer o mais depressa possível a viagem e não fale mais dela;
b) entreviste Hans Küng [no Brasil serve o genérico, Leonardo Boff] para que ilumine os leitores com sua palavra.

4) Lembre-se sempre de que o tema “pedofilia na Igreja” é o assunto mais popular dos últimos anos:

a) aproveite cada ocasião que se apresentar;
b) fique tranqüilo: geralmente a Santa Sé jamais intervém em defesa do Papa, sobretudo em relação a este assunto. Siga adiante seguro da impunidade;
c) quando se difundir notícias sobre novas acusações contra o Papa (por exemplo, uma denúncia à Haia), finja não saber que Ratzinger é o homem que mais fez nas últimas décadas para combater a praga dos padres pedófilos;
d) nunca cite as medidas e o exemplo do Papa Ratzinger;
e) comporte-se como se fosse a primeira vez que o Papa é acusado de algo;
f) ataque o Papa na primeira página, preferivelmente com uma foto de costas;
g) cite, de passagem, o caso do Padre X., mesmo que já tenha sido abundantemente explicado;
h) cite também o irmão do Papa mesmo que nada tenha a ver com os casos de pedofilia verificados no coro de Ratisbona;
i) É FUNDAMENTAL que você jamais destaque que os casos de pedofilia de que se trata, se deram há décadas;
j) faça de forma que os leitores pensem que o escândalo de pedofilia tenha surgido no Pontificado ratzingeriano;
k) jamais cite outros Pontificados;
l) nunca aponte para o fato de que Ratzinger é o único Papa que se encontrou ao menos seis vezes com as vítimas dos pedófilos;
m) entreviste Hans Küng [no Brasil serve o genérico, Leonardo Boff] para que diga uma das suas;
n) quando as coisas se tornam sérias para a Igreja, jogue toda a responsabilidade sobre Ratzinger, mas se você percebe que o vento muda, escreva que os méritos não são apenas de Bento XVI;
o) jamais e por nenhum razão no mundo deverá escrever ou pronunciar o nome de Maciel;
p) continue a bater na tecla da abertura dos arquivos, fingindo ignorar o bem feito nestes últimos anos;
q) entreviste o porta-voz das associações de vítimas que mais atacam o Vaticano;
r) sirva de megafone para os advogados das vítimas e não conceda jamais à outra parte o benefício da dúvida;
s) quando o Vaticano se cala (isto é, sempre) mas comentaristas e editorialistas autorizados fazem notar que é um absurdo culpar Ratzinger, o Papa que mais fez contra os pedófilos, dê marcha-ré imediatamente e não fale mais de denúncia à Haia;
t) insinue que Bento XVI poderia fazer muito mais ou então que é muito duro e pouco misericordioso com os culpados. Em suma, faça de modo que tenha sempre a culpa!
u) omita recordar que desde 1988 Ratzinger pede maior severidade na punição dos culpados;
v) sempre finja ignorar que a Congregação para a Doutrina da Fé é competente nos casos de pedofilia no clero apenas a partir de 2001;
w) lembre-se de que, em relação a este assunto, há nomes que podem ser citados e outros que, embora vivos e com saúde, jamais devem ser envolvidos.

5) Quando o Papa faz um importante discurso:

a) regra de ouro: ignore-o!
b) finja que o Papa não tenha falado, exceto para lamentar o fato de que o Papa não se expressou sobre um determinado assunto;
c) distorça o pensamento do papa quando ele diz algo que não agrada a você ou a seu editor;
d) force alguns conceitos se as frases do Papa possam ser interpretadas a favor de sua ideologia política ou da de seu editor;
e) o “sim” à vida deve tornar-se o “não à pílula do dia seguinte”, o “sim” à família deve tornar-se o “não aos casais de fato e, em particular, aos gays”;
f) se o Papa “repreende” os bispos de um certo país, tome sempre a defesa dos prelados em nome da colegialidade!
g) cite sempre o Concílio e insinue que o Papa quer anular todos os documentos conciliares;
h) entreviste Hans Küng para que recorde mais uma vez ter sido perito conciliar [neste caso o genérico, Leonardo Boff, é incompetente; ele pode, entretanto, falar do processo cruel a que foi submetido pelo Cardeal Ratzinger e de como foi defendido pelos cardeais Arns e Lorscheider];
i) lembre-se sempre de evidenciar que Bento XVI não faz nada e não diz nada que não tenha já dito ou feito o seu predecessor;
j) se o Papa diz algo que vai contra a sua fé política ou a de seu editor, vá correndo para a praça pública e grite: “Ingerência!”;
k) se o Papa, porém, disser algo contra a ideologia do partido que não agrada a você ou a seu editor, postule a advertência papal, o anátema ou a eventual excomunhão. Recorde que o Santo Padre e a Igreja não podem se calar. Cante “Hosanas” quando Bento XVI se exprime como agrada a você e a seu editor;
l) destaque que Bento XVI não é um Papa político mas, se fala de ética, faça com que as pessoas percebem que ele comete grave ingerência nos negócios políticos de um outro país;
m) a tal propósito cita o otto per mille [uma espécie de imposto italiano voluntário destinado às confissões religiosas], omitindo que ele vai para a CEI [conferência dos bispos italianos] e não para o Vaticano.

6) Quando se fala de Bento XVI na televisão:

a) evidencie sempre que é diferente de seu predecessor;
b) insinue que tem menos carisma ou que sequer tem algum;
c) entreviste pessoas que declaram preferir outros Papas;
d) se se está falando do Papa Bento, faça de modo que o discurso termine nos outros;
e) convide padres, bispos e cardeais muito hábeis em não falar do Papa Bento;
f) se é mesmo obrigado a fazer um programa sobre Ratzinger, o ponha no ar de manhã bem cedo ou à noite bem tarde;
g) faça transmissões ao vivo do Papa somente quando é necessário;
h) se possível grave os eventos e os transmita tarde da noite (JMJ de Madri docet);
i) finja maravilhar-se se o Papa faz algo de inesperado;
j) recorde aos telespectadores que quando foi eleito lhe parecia frio por ser alemão;
k) destaque que é um professor como se fosse um título de demérito;
l) procure fazer de forma que na mesma rede, na mesma semana (melhor ainda se no mesmo dia), o Papa Bento seja posto na berlinda enquanto o seu predecessor seja recordado com afeto;
m) quer, por acaso, deixar de entrevistar Hans Küng [no Brasil serve o genérico, Leonardo Boff]?

7) Se vêem à tona fatos ocorridos antes de 19 de abril de 2005:

a) faça de forma que seja questionado o Papa Ratzinger;
b) recolha apelos a fim de que o Papa intervenha em primeira pessoa, abrindo arquivos ou fazendo ele próprio apelos também sobre fatos de que não possa ter conhecimento;
c) entreviste Hans Küng [no Brasil serve o genérico, Leonardo Boff].

8) Quando se fala da relação entre Bento XVI e as outras religiões ou confissões cristãs:

a) ponha-se sempre, e em qualquer circunstância, do lado dos Protestantes;
b) quando se trata dos amigos judeus, não deixe de citar o fato de que o Papa é alemão, que revogou as excomunhões dos bispos lefebvrianos, em particular de Williamson, e que publicou a Summorum Pontificum;
c) evite como a peste recordar que a oração da Sexta-feira Santa jamais foi modificada nem por Paulo VI, nem por João Paulo II, e que Bento XVI a mudou para ir ao encontro dos judeus;
d) defenda sem reservas a tese do silêncio de Pio XII e recorde que Bento XVI declarou venerável o Papa Pacelli, mas omita observar que o processo de beatificação foi aberto em 1967;
e) quando se trata dos amigos muçulmanos, cite sempre o discurso de Ratisbona como pedra de tropeço;
f) faça sempre referência à aula de Ratisbona chamando-a “gafe”, “lapso”, “incidente”, como preferir;
g) por nada no mundo você deverá citar os progressos no diálogo entre católicos e muçulmanos ocorridos depois do discurso de Ratisbona;
h) não nomeie jamais os irmãos ortodoxos;
i) se os citar, jamais mencione a reaproximação entre católicos e ortodoxos, atribuindo o mérito ao Papa Bento XVI;
j) entreviste Hans Küng [no Brasil serve o genérico, Leonardo Boff];

9) Se há um aniversário particular que diz respeito ao Papa Bento:

a) regra de platina: ignore-o!
b) aja exatamente como se fez em 29 de junho de 2011 (60º aniversário de ordenação): finja que seja um dia qualquer para a Igreja;
c) esteja atento: comece já a pensar em 16 de abril de 2012, dia em que Bento XVIcompletará 85 anos;
d) de modo algum deverá se tornar uma ocasião para celebrar o Papa ou para constatar sua jovialidade mental e sua resistência física;
e) prepare-se desde já para o evento insistindo sobre a possibilidade de demissão;
f) a tal propósito não deixar de ouvir o parecer de Hans Küng [no Brasil serve o genérico, Leonardo Boff].

10) No que diz respeito às multidões que assistem aos eventos presididos por Bento XVI:

a) regra de diamante: ignore-as!
b) finja não ver os fiéis que participam do Ângelus e das audiências gerais;
c) se se apresenta um fiel a menos do que o previsto, faça disto a manchete e conte com o ábaco;
d) se porém as presenças superarem as expectativas, finja não ser nada, olhe para o outro lado e não fale mais disso;
e) insinua que os fiéis acorrem por causa da novidade, mas omita recordar que Bento é Papa há seis anos e meio;
f) para reforçar a tese conceda o devido espaço a Hans Küng [no Brasil serve o genérico, Leonardo Boff – arre, vade retro!].
Tradução: OBLATVS

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Grande Mídia, Oh Grande Mídia!


Ontem de madrugada, era mais ou menos 1 hora da manhã, quando eu estava na cozinha tomando o meu cafezinho, assisti no SBT uma reportagem no Jornal da Noite, sobre a nomeação de Dom João para a Congregação dos Religiosos.

Demorou, hein! Deram a notícia atrasada de terça-feira e ainda deram com erros dizendo que a nomeação havia sido nesta quarta.

Gente, quando a Grande Mídia dá uma notícia da Igreja, ela não passa de 30 segundos. E quando dá, é antiga e já rodou mil vezes a blogosfera católica. A não ser, se for notícia sobre "padre" pedófilo ou qualquer outro escândalo. Aí o espaço aumenta de 2 minutos pra mais, até um documentário descola...

Por exemplo: em 2009, nós estávamos carecas de saber que o Santo Padre tinha feito a remissão dos quatro Bispos da FSSPX. 
A Grande Mídia, não... 
Não, sabia sim, só que a guardou para o momento oportuno...
Só no sábado, quando passou na TV Sueca, a fatídica entrevista de Dom Williamson sobre o Holocausto, é que a Mídia despontou com a notícia, a novidade da hora...
O resto todo mundo sabe...

Agora, o Vaticano reconheceu o milagre de João Paulo II, nenhuma repercussão na imprensa...
Aposto com vocês que vai sair uma matéria de 1 minuto, domingo no Fantástico. E deu...
E se não soltarem alguma abóbrinha...

O caso do Padre Maciel, então nem se fala...
Desde 2008, reinando o assunto e só foi aparecer na Grande Mídia em 2010...
Vai saber, também compraram a Grande Mídia, kkk...

Por isso, devemos nos defender e lutar contra os nossos inimigos internos: Padres, Bispos e leigos incoerentes  e etc. Porque para perseguir a Igreja de Cristo e arrastar as almas a perdição, a Mídia e o mundo já fazem um "belíssimo" trabalho.

terça-feira, 30 de março de 2010

Cem anos de pedofilia

Olavo de Carvalho - O Globo 27/04/2002

Na Grécia e no Império Romano, o uso de menores para a satisfação sexual de adultos foi um costume tolerado e até prezado. Na China, castrar meninos para vendê-los a ricos pederastas foi um comércio legítimo durante milênios. No mundo islâmico, a rígida moral que ordena as relações entre homens e mulheres foi não raro compensada pela tolerância para com a pedofilia homossexual. Em alguns países isso durou até pelo menos o começo do século XX, fazendo da Argélia, por exemplo, um jardim das delícias para os viajantes depravados (leiam as memórias de André Gide, "Si le grain ne meurt").
Por toda parte onde a prática da pedofilia recuou, foi a influência do cristianismo — e praticamente ela só — que libertou as crianças desse jugo temível.
Mas isso teve um preço. É como se uma corrente subterrânea de ódio e ressentimento atravessasse dois milênios de história, aguardando o momento da vingança. Esse momento chegou.
O movimento de indução à pedofilia começa quando Sigmund Freud cria uma versão caricaturalmente erotizada dos primeiros anos da vida humana, versão que com a maior facilidade é absorvida pela cultura do século. Desde então a vida familiar surge cada vez mais, no imaginário ocidental, como uma panela-de-pressão de desejos recalcados. No cinema e na literatura, as crianças parecem que nada mais têm a fazer do que espionar a vida sexual de seus pais pelo buraco da fechadura ou entregar-se elas próprias aos mais assombrosos jogos eróticos.
O potencial politicamente explosivo da idéia é logo aproveitado por Wilhelm Reich, psiquiatra comunista que organiza na Alemanha um movimento pela "libertação sexual da juventude", depois transferido para os EUA, onde virá a constituir talvez a principal idéia-força das rebeliões de estudantes na década de 60.
Enquanto isso, o Relatório Kinsey, que hoje sabemos ter sido uma fraude em toda a linha, demole a imagem de respeitabilidade dos pais, mostrando-os às novas gerações como hipócritas sexualmente doentes ou libertinos enrustidos.
O advento da pílula e da camisinha, que os governos passam a distribuir alegremente nas escolas, soa como o toque de liberação geral do erotismo infanto-juvenil. Desde então a erotização da infância e da adolescência se expande dos círculos acadêmicos e literários para a cultura das classes média e baixa, por meio de uma infinidade de filmes, programas de TV, "grupos de encontro", cursos de aconselhamento familiar, anúncios, o diabo. A educação sexual nas escolas torna-se uma indução direta de crianças e jovens à prática de tudo o que viram no cinema e na TV.
Mas até aí a legitimação da pedofilia aparece apenas insinuada, de contrabando no meio de reivindicações gerais que a envolvem como conseqüência implícita.
Em 1981, no entanto, a "Time" noticia que argumentos pró-pedofilia estão ganhando popularidade entre conselheiros sexuais. Larry Constantine, um terapeuta de família, proclama que as crianças "têm o direito de expressar-se sexualmente, o que significa que podem ter ou não ter contatos sexuais com pessoas mais velhas". Um dos autores do Relatório Kinsey, Wardell Pomeroy, pontifica que o incesto "pode às vezes ser benéfico".
A pretexto de combater a discriminação, representantes do movimento gay são autorizados a ensinar nas escolas infantis os benefícios da prática homossexual. Quem quer que se oponha a eles é estigmatizado, perseguido, demitido. Num livro elogiado por J. Elders, ex-ministro da Saúde dos EUA (surgeon general — aquele mesmo que faz advertências apocalípticas contra os cigarros), a jornalista Judith Levine afirma que os pedófilos são inofensivos e que a relação sexual de um menino com um sacerdote pode ser até uma coisa benéfica. Perigosos mesmo, diz Levine, são os pais, que projetam "seus medos e seu próprio desejo de carne infantil no mítico molestador de crianças".
Organizações feministas ajudam a desarmar as crianças contra os pedófilos e armá-las contra a família, divulgando a teoria monstruosa de um psiquiatra argentino segundo a qual pelo menos uma entre cada quatro meninas é estuprada pelo próprio pai.
A consagração mais alta da pedofilia vem num número de 1998 do "Psychological Bulletin", órgão da American Psychological Association. A revista afirma que abusos sexuais na infância "não causam dano intenso de maneira pervasiva", e ainda recomenda que o termo pedofilia, "carregado de conotações negativas", seja trocado para "intimidade intergeracional".
Seria impensável que tão vasta revolução mental, alastrando-se por toda a sociedade, poupasse miraculosamente uma parte especial do público: os padres e seminaristas. No caso destes somou-se à pressão de fora um estímulo especial, bem calculado para agir desde dentro. Num livro recente, "Goodbye, good men", o repórter americano Michael S. Rose mostra que há três décadas organizações gays dos EUA vêm colocando gente sua nos departamentos de psicologia dos seminários para dificultar a entrada de postulantes vocacionalmente dotados e forçar o ingresso maciço de homossexuais no clero. Nos principais seminários a propaganda do homossexualismo tornou-se ostensiva e estudantes heterossexuais foram forçados por seus superiores a submeter-se a condutas homossexuais.
Acuados e sabotados, confundidos e induzidos, é fatal mais dia menos dia muitos padres e seminaristas acabem cedendo à geral gandaia infanto-juvenil. E, quando isso acontece, todos os porta-vozes da moderna cultura "liberada", todo o establishment "progressista", toda a mídia "avançada", todas as forças, enfim, que ao longo de cem anos foram despojando as crianças da aura protetora do cristianismo para entregá-las à cobiça de adultos perversos, repentinamente se rejubilam, porque encontraram um inocente sobre o qual lançar suas culpas. Cem anos de cultura pedófila, de repente, estão absolvidos, limpos, resgatados ante o Altíssimo: o único culpado de tudo é... o celibato clerical! A cristandade vai agora pagar por todo o mal que ela os impediu de fazer.
Não tenham dúvida: a Igreja é acusada e humilhada porque está inocente. Seus detratores a acusam porque são eles próprios os culpados. Nunca a teoria de René Girard, da perseguição ao bode expiatório como expediente para a restauração da unidade ilusória de uma coletividade em crise, encontrou confirmação tão patente, tão óbvia, tão universal e simultânea.
Quem quer que não perceba isso, neste momento, está divorciado da sua própria consciência. Tem olhos mas não vê, tem ouvidos mas não ouve.
Mas a própria Igreja, se em vez de denunciar seus atacantes preferir curvar-se ante eles num grotesco ato de contrição, sacrificando pro forma uns quantos padres pedófilos para não ter de enfrentar as forças que os injetaram nela como um vírus, terá feito sua escolha mais desastrosa dos últimos dois milênios.
Fonte: http://www.puggina.org/catolicos/news.php?detail=n1217773859.news

Este grande pensador católico já em 2002 já tinha previsto a onda de escândalos e perseguição contra Igreja.